Tentativa de golpe no Brasil expõe riscos à democracia, alerta historiador da USP

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© USP/Divulgação
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Marcos Napolitano analisa o fracasso dos golpistas em 2022 e destaca a importância de punições exemplares e do fortalecimento das instituições democráticas.

 

 

A tentativa de golpe contra a democracia brasileira, revelada pela Polícia Federal, é um episódio que ultrapassou o campo dos discursos políticos e investiu no caos social e na defesa da volta da ditadura, segundo Marcos Napolitano, historiador e professor da Universidade de São Paulo (USP). Especialista na história da República Brasileira, Napolitano destacou que os crimes cometidos por lideranças civis e militares entre 2022 e 2023 representam uma grave ameaça ao sistema democrático do país.

 

De acordo com o historiador, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal agiram dentro de suas atribuições ao investigar e expor os responsáveis. No entanto, ele ressalta que a continuidade do processo depende da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá sobre a abertura de inquéritos formais.

 

Napolitano atribui o fracasso da intentona golpista à ausência de apoio institucional significativo. “Os golpistas de 2022 tinham até um razoável apoio na sociedade, mas sem respaldo das Forças Armadas, de partidos políticos organizados, da imprensa e do parlamento, golpes dificilmente prosperam”, afirmou. Ele também destacou que as instituições políticas e jurídicas apresentaram maior consenso liberal-democrático em comparação com períodos anteriores.

 

O pesquisador traçou paralelos com a crise política de 2015 e 2016, culminando no impeachment de Dilma Rousseff, que ele descreve como “um golpe parlamentar com apoio social e jurídico”. Para Napolitano, esse contexto alimentou o extremismo de direita, que viu na deposição da ex-presidente um estímulo para novas ações antidemocráticas.

 

Napolitano reforçou que golpes de Estado no Brasil não são novidade, relembrando os episódios desorganizados e fracassados entre 1950 e 1964. “De tanto errar, os golpistas se organizaram melhor para 1964. É por isso que precisamos ficar alertas, punir tentativas de golpes e evitar o discurso otimista de que ‘nossas instituições são fortes’”, alertou.

 

Para fortalecer a democracia, o historiador defende a promoção de uma cultura política baseada no respeito às instituições e na resolução negociada de conflitos. Contudo, reconhece as dificuldades em um país marcado pela desigualdade, violência e autoritarismo. Ele também enfatiza a necessidade de isolar figuras golpistas no cenário político e de aplicar punições exemplares dentro do marco da lei.

 

“Somente com seriedade na administração do país, respeito à democracia e punições rigorosas será possível evitar novos ataques ao regime democrático”, concluiu Napolitano.

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