Por Carlos Arouck
Em um mundo cada vez mais polarizado, a ordem mundial liberal, construída sobre os pilares do globalismo e do multilateralismo, está se desfazendo. O que antes foi apresentado como um sistema infalível de cooperação internacional, agora revela suas fragilidades, abrindo espaço para uma nova era, na qual as nações soberanas reassumem o controle de seus próprios destinos.
Essa transformação não é um acidente histórico, mas o resultado previsível dos excessos liberais, que provocaram uma reação nacionalista vigorosa. Os interesses nacionais são priorizados em detrimento de agendas impostas por burocracias distantes e não eleitas. Tudo o que se observa atualmente aponta para o enfraquecimento do multilateralismo dominado por organismos como a ONU, a União Europeia e a Organização Mundial da Saúde, entidades amplamente criticadas pela falta de responsabilidade democrática e por servirem a elites globalistas em detrimento dos povos.
A ordem internacional liberal, consolidada após a Guerra Fria, já nasceu com bases frágeis. Seus defensores prometiam prosperidade universal por meio de instituições supranacionais, mas o que se viu foi a erosão da soberania nacional e a imposição de decisões por burocratas não eleitos, frequentemente alheios às realidades locais. Entre 2025 e 2026, essa estrutura entrou em colapso acelerado, impulsionada por crises de legitimidade no Ocidente e pela ascensão do chamado Resto do Mundo, nações emergentes que rejeitam o modelo ocidental em declínio.
Analistas conservadores argumentam que os excessos do liberalismo internacional, como a imposição de agendas progressistas e o descaso com o controle de fronteiras, geraram uma reação nacionalista inevitável.
No centro dessa inflexão está a administração Trump nos Estados Unidos, que, em janeiro de 2026, anunciou a retirada do país de dezenas de organizações internacionais, incluindo 31 organismos ligados à ONU, por considerá-los contrários aos interesses americanos. A decisão, formalizada por meio de ordem executiva, classificou essas entidades como redundantes, mal geridas, desnecessárias, dispendiosas e capturadas por interesses estrangeiros.
Para o soberanismo, trata-se de uma vitória evidente. Por que os Estados Unidos, ou qualquer outra nação, deveriam financiar burocracias que promovem agendas como o controle climático global ou intervenções sanitárias impostas, sem consulta aos eleitores? A própria ONU enfrenta crescente resistência política em zonas de conflito, com disputas entre potências paralisando o Conselho de Segurança. Governos de direita veem nesse cenário uma oportunidade clara de enfraquecer estruturas que limitam a autonomia nacional.
Na Europa, a União Europeia, outro pilar do multilateralismo tecnocrático, enfrenta instabilidade diante do avanço de governos nacionalistas. Países como Hungria e Itália desafiam abertamente a autoridade de Bruxelas, priorizando fronteiras seguras e economias nacionais em vez de diretrizes centralizadas. Relatórios recentes indicam que o declínio do Ocidente acelera esse processo, enquanto o Resto, incluindo China, Índia e Brasil, contribui para a formação de uma nova ordem multipolar, mais caótica, porém menos sujeita a imposições liberais.
No Brasil, movimentos conservadores ecoam essa visão ao defender uma política externa alinhada aos interesses nacionais, e não a agendas globalistas promovidas por organismos como a ONU ou a Organização Mundial da Saúde, que durante a pandemia foram acusadas de colocar a burocracia acima das liberdades individuais.
Com o enfraquecimento do modelo imposto por tantos anos, emerge a era das nações, na qual soberania e identidade cultural retornam ao centro do debate. Essa transição não representa o caos anunciado pelos liberais, mas uma correção necessária. Em 2026, ganha força a narrativa de que o liberalismo internacional falhou ao ignorar as aspirações dos povos, gerando uma profunda crise de legitimidade.
Governos de direita ao redor do mundo, do Brasil aos Estados Unidos, adotam o nacionalismo como resposta: fronteiras fortalecidas, comércio bilateral em lugar de tratados multilaterais amplos e rejeição a organismos que ditam políticas sem respaldo eleitoral.
Críticos conservadores frequentemente citam a Organização Mundial da Saúde como exemplo emblemático dessas falhas: uma entidade não eleita que impõe diretrizes globais, muitas vezes alinhadas a interesses de grandes farmacêuticas e de potências como a China, em detrimento da autonomia das nações. A retirada do financiamento americano desses organismos, anunciada recentemente, não enfraquece o mundo; ao contrário, fortalece os países ao libertá-los de amarras desnecessárias.
A própria União Europeia ilustra esse processo. Sua burocracia centralizada levou ao Brexit, quando o Reino Unido deixou de seguir automaticamente as leis da União Europa e agora inspira movimentos semelhantes em outros países, evidenciando que os povos preferem o autogoverno aos ditames de elites distantes.
Estudos acadêmicos reforçam essa interpretação ao apontar que a ordem liberal do período posterior à Guerra Fria estava destinada ao fracasso devido às suas bases instáveis. Seu colapso abre espaço para um sistema internacional no qual as nações competem e cooperam em termos mais equilibrados, sem submissão a estruturas supranacionais. No Brasil, essa visão dialoga com o legado de líderes como Jair Bolsonaro, que priorizavam alianças bilaterais, especialmente com os Estados Unidos, em detrimento de fóruns multilaterais, defendendo valores conservadores frente ao globalismo.
Os tempos estão mudando, e para melhor. O desmonte da ordem liberal não representa o fim do mundo, mas o início de uma era em que nações soberanas determinam seu próprio futuro, livres de organismos não eleitos a serviço de agendas elitistas. Como reconhece a própria Foreign Affairs, o liberalismo internacional selou seu destino ao priorizar ideais utópicos em detrimento das realidades nacionais.
Para os conservadores, trata-se de uma oportunidade histórica: reconstruir a ordem internacional com base na soberania, na tradição e nos interesses reais dos povos. O multilateralismo burocrático se encerra; a era das nações começa. O Brasil, com sua riqueza cultural e potencial econômico, está bem posicionado para prosperar nesse novo cenário, alinhando-se a parceiros que valorizam a liberdade nacional.
A retirada promovida pelo presidente Trump simboliza essa mudança de paradigma. A era de cheques em branco para burocracias internacionais chegou ao fim. Estamos rejeitando um modelo ultrapassado que trata o contribuinte americano, e por extensão outros povos, como financiador permanente de uma arquitetura de governança global ineficiente.
Ir para o conteúdo





