O que falta para alguém ser uma pessoa

Compartilhar:
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
[views count="1" print= "0"]
[tta_listen_btn listen_text="Ouvir" pause_text="Pause" resume_text="Retomar" replay_text="Ouvir" start_text="Iniciar" stop_text="Parar"]

 

Por Miguel Lucena

Quando achava alguém realmente bom, a mãe de Vital Farias dizia, com a sabedoria simples dos sertões, que aquela criatura era uma pessoa. Não bastava ser gente, não bastava ter CPF, RG e endereço: para ser pessoa, o indivíduo precisava prestar.

Hoje, nesse mundo de individualismos vitaminados e egoísmos turbinados, encontrar uma pessoa — daquelas de verdade — virou raridade de museu. As relações sociais andam fantasiadas de simpatia, mas cheias de encenação. Nas redes sociais, então, é uma romaria de máscaras: sorrisos fabricados, humildades performáticas, empatia de vitrine.

Ser uma pessoa, no sentido que a mãe de Vital entendia, exige algo mais profundo e mais raro: honestidade de alma. É ouvir sem interesse, agir sem cálculo, falar sem veneno. É ser capaz de oferecer presença sem anúncios, sem selfie, sem curtidas.

O problema é que a pressa do mundo moderno transformou virtudes antigas em peças de museu. Generosidade virou marketing pessoal. Solidariedade virou postagem. E até a bondade passou a exigir legenda.

Ainda assim, precisamos resistir. Precisamos nos esforçar, diariamente, para sermos pessoas — dessas que prestam, que se entregam ao outro sem nota fiscal emocional. Porque, no fim das contas, ser uma pessoa continua sendo a forma mais bonita de existir.
E a mais rara.

Mais lidas

Nova presidente do Conselho de Educação do...
Rádio perde voz histórica: Juarez Vieira m...
O que falta para alguém ser uma pessoa
...