Por Miguel Lucena
O envolvimento dos “deuses da modernidade” na rede de prostituição e pedofilia de Jeffrey Epstein, nos Estados Unidos, expôs uma verdade antiga que insistimos em esquecer: por trás dos paletós caros, das palestras motivacionais milionárias e dos QIs que eles próprios alardeiam, há seres humanos frágeis, contraditórios — e, em muitos casos, moralmente atrofiados.
A figura mítica do gênio intocável, celebrada em livros de autoajuda e em cursos de liderança, caiu por terra quando vieram à tona as listas, os voos e as companhias que beiravam o indecente. As taras que movem esses iluminados não diferem das dos criminosos que a Polícia brasileira prende todos os dias e cujos rostos estampam os programas policiais. A diferença está apenas no preço da passagem, no tamanho do jato e na influência dos amigos.
Teve até figurão — desses incensados como semideuses corporativos — que, além de usufruir da rede de exploração, ainda levou para casa uma doença venérea, presente macabro entregue à esposa como quem devolve um souvenir da viagem ao inferno.
Epstein morreu, mas o espelho que ele segurou diante dos poderosos continua de pé. Ele nos lembra que não existe currículo brilhante capaz de esconder o abismo moral de quem usa riqueza e fama para abusar, explorar e destruir vidas. A verdadeira elite é a que preserva a dignidade humana, não a que a trata como mercadoria.
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