Da Educação Infantil ao Ensino Médio, especialistas explicam como encarar cada transição com mais segurança e menos medo
O início do ano letivo costuma vir acompanhado de expectativa, curiosidade e, para muitas famílias, uma dose extra de ansiedade, especialmente quando a criança ou o adolescente está vivendo uma fase de transição escolar. A passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental ou do Fundamental para o Ensino Médio representa mudanças importantes na rotina, na forma de aprender e até na maneira de se relacionar com colegas e professores.
Apesar dos desafios, psicólogos e educadores reforçam que esse momento deve ser encarado como uma etapa natural do desenvolvimento, marcada muito mais por descobertas do que por dificuldades. De acordo com o site Springer Nature, estudos apontam que, embora a transição possa gerar insegurança inicial, o apoio da escola e da família é decisivo para reduzir a ansiedade e fortalecer o vínculo do aluno com a aprendizagem.
Segundo Jéssica Assunção, psicóloga do Colégio Ideal, em Brasília, a mudança de segmento é um marco significativo no percurso escolar, pois contribui diretamente para o desenvolvimento de novas habilidades. “Essas transições promovem autonomia, adaptação e amadurecimento. Ao vivenciar essas descobertas, os alunos ampliam sua compreensão sobre o aprender, fortalecem o interesse pelo conhecimento e enfrentam as mudanças com mais segurança e tranquilidade, reduzindo a ansiedade e favorecendo o bem-estar ao longo do processo educativo”, explica.
O que muda em cada etapa?
Na transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, a principal mudança está na organização da rotina. As aulas tornam-se mais estruturadas, surgem novos combinados e o aluno passa a lidar com atividades que exigem maior atenção, concentração e responsabilidade.
Já na passagem do Ensino Fundamental para o Ensino Médio, os desafios ganham outra dimensão. Além do aumento da carga de conteúdos, o estudante começa a fazer escolhas mais conscientes sobre o futuro acadêmico e profissional. O site NSW Government traz uma pesquisa que mostra que nesse período, é comum ocorrer uma queda temporária no engajamento e no senso de pertencimento, especialmente quando o aluno não se sente acolhido no novo ambiente escolar.
Para a coordenadora pedagógica Karina Santos, o ambiente escolar exerce um papel fundamental nesse processo. Segundo ela, as salas devem ser organizadas de forma flexível, respeitando a proposta pedagógica de cada turma. O ideal é que os espaços contem com tapetes para rodas de conversa e cantinhos de leitura, favorecendo a interação, a autonomia e o protagonismo dos alunos. A média indicada é de até 25 estudantes por turma.
Karina atua no Colégio Ideal de Brasília e explica que as turmas contam com professora regente e, no caso do 4º e 5º anos, com duas regentes: uma responsável pela área de Exatas e outra pela área de Humanas. Quando necessário, há ainda o apoio de uma professora auxiliar. A escola também dispõe de professores especialistas em inglês, educação física e artes, além de uma coordenação pedagógica atuante e presente no dia a dia escolar.
Dicas para uma transição mais tranquila
- Converse sobre as mudanças, ouvindo medos e expectativas sem minimizar sentimentos;
- Evite comparações com irmãos ou colegas;
- Valorize pequenas conquistas, principalmente nas primeiras semanas;
- Mantenha uma rotina organizada, com horários de estudo, descanso e lazer;
- Reforce que errar faz parte do aprendizado.
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- Estabeleça um horário fixo de estudo, mesmo que por pouco tempo;
Distribua as matérias ao longo da semana;
- Revise o conteúdo visto em sala no mesmo dia ou no dia seguinte;
- Faça anotações durante a aula e releia em casa;
- Tire dúvidas assim que surgirem;
- Evite distrações como celular e televisão;
- Realize as atividades com atenção, sem deixar para a última hora;
- Use agenda ou caderno para acompanhar prazos de trabalhos e provas.
Longe de ser um obstáculo, a transição escolar pode se transformar em uma oportunidade de fortalecimento emocional, aprendizado e crescimento. Com o apoio da família, a orientação da escola e um ambiente acolhedor, pais e alunos percebem que essa nova fase está longe de ser um problema — e muito mais próxima de uma grande conquista.
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