Flores do Cerrado ajuda mulheres a recomeçar

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Foto: Divulgação
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Em ação desde 2023, o curso de costura, corte e bordado impacta diretamente no desenvolvimento econômico e social da região

 

Por Larissa Azevedo

Miriam Bezerra, 59 anos, é moradora da Ceilândia (DF) e entrou para o projeto social Flores do Cerrado em 2024. Porém, desde os 12 anos de idade, Miriam já tinha curiosidade em costura.

 

Quando decidiu se inscrever no curso, estava passando por um período de vida muito difícil: havia perdido a mãe e estava desempregada.

 

Mas, ainda em estado depressivo, foi impactada por um post no Instagram, sobre o curso de Corte, Costura e Bordado do projeto Flores do Cerrado, que acontece anualmente no Distrito Federal. “Não pensei duas vezes para me inscrever e, felizmente, fui contemplada. Depois disso, minha vida mudou completamente”, explicou.

 

[Eu descobri um dom durante as aulas, que, antes, parecia estar enterrado.]

 

“Durante o curso, fiz prendedores de cabelo, panos de prato e bolsas, até que comecei a vender minhas produções e portas foram se abrindo”, reforça.

 

Meses depois de ingressar, ela recebeu a oportunidade de ser auxiliar de costura. “Eu a agarrei com unhas e dentes; e foi aí o pulo do gato, em que encontrei forças para continuar”, revela.

 

Após um tempo, Miriam foi promovida a dar aulas e segue lecionando para 20 alunos. “Agradeço a todo mundo do projeto, porque ele realmente salva vidas”, destacou.

 

O projeto Flores do Cerrado capacitou, de graça, diversas mulheres das regiões do Sol Nascente, Estrutural, Brazlândia, São Sebastião, Varjão, Samambaia e, recentemente, Taguatinga.

 

Ao todo, foram 20 vagas preenchidas e divididas no turno vespertino. As aulas acontecem de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h.

 

O curso de costura teve início em 26/01 e segue até dia 13/02, enquanto o de bordado começa em 23/02 e termina em 27/02.

 

Decisão transformadora

Moradora da Estrutural (DF), Leudenir Ferreira, 66 anos, também estava em depressão profunda.

 

Antes mesmo de conhecer o Flores do Cerrado, passava semanas sem socializar e mal conseguia dialogar com os próprios filhos.

 

Mas, certo dia, encontrou uma conhecida na padaria, com quem conversou rapidamente e recebeu um conselho modesto, sem saber que seria uma decisão transformadora: “Gostaria de que fizesse sua inscrição no projeto Flores do Cerrado para aprender a costurar, cortar e a bordar”.

 

De início, Leudenir relutou. Mas a colega insistiu até o ponto em que Leudenir topou conhecer as aulas.

 

“Assisti às práticas por dois dias e, no terceiro, tive uma crise depressiva em meio à aula. Foi então que o Toni Regis, professor do curso, me acolheu e não me deixou desistir”, enfatiza.

 

Após retornar, ela conseguiu fazer as aulas até criar amor pelo Flores. “Naquele momento, o curso era a minha vida. Sempre ia dormir já pensando na aula do dia seguinte. Fui uma aluna bastante dedicada e, sem que eu percebesse, toda a angústia que eu vinha sentindo desapareceu. Ele realmente transforma vidas”, pontua.

 

Só do curso, a atual professora afirma que já saíram quatro alunas para prestar serviço para confecção de uniforme hospitalar. “Apesar de ter tido a mesma oportunidade, quando aluna, optei por seguir com o Flores. Para onde ele fosse, eu queria estar junto”, afirmou.

 

[O que aprendi com o Flores desejo ensinar para todas as mulheres. Se ele fosse um jardim, eu moraria dentro dele.]

 

Leudenir entrou como aluna, foi auxiliar e hoje é professora de costura, corte e bordado. “No início, não fiz renda alguma. Mas, à medida em que fui aperfeiçoando meu trabalho, comecei a vender meus itens. Já fiz tapete, bolsinha, necessaire, presilha de cabelo e touca de cetim”, destaca

 

A docente aproveita, então, para agradecer a quem não a deixou desistir de uma das melhores decisões da vida dela: “Muito obrigada, Toni, Fábio e a todos que me incentivaram”, finaliza.

 

Impacto

 

Mais de 400 aprendizes já tiveram as vidas transformadas através dos cursos fornecidos pelo Flores do Cerrado, nas áreas de empreendedorismo, corte e costura, técnicas de artesanato e bordado.

 

Todo o material do curso é disponibilizado, incluindo máquinas de costura e tecidos. O projeto também oferece área kids com monitores capacitados para cuidar dos filhos das participantes durante todo o período das oficinas.

 

O objetivo do curso é capacitar e recolocar mulheres de baixa renda no mercado de trabalho. Assim, a iniciativa promove a inclusão social e profissional, oferecendo ferramentas para conquistar autonomia e oportunidades no mercado de trabalho.

 

De acordo com o fundador do projeto social, Fabio Barrera, a iniciativa é mais que um projeto de capacitação; é um projeto motivacional. “Por meio da costura e do bordado, nós mostramos para as mulheres que elas são capazes; que elas precisam acreditar nelas mesmas”, assegura.

 

Não por acaso, o slogan do curso é “A arte de transformar”, que sintetiza a essência da ação. “Nós buscamos que elas sejam agentes de mudança da vida delas. Assim, o Flores é capacitação, saúde mental, acolhimento e promoção de relações interpessoais”, finaliza.

 

O Flores do Cerrado é uma iniciativa da CEDHuC – Comissão Especial de Direitos Humanos, com apoio do Ministério da Cultura.

 

Serviço

 

Projeto social: Flores do Cerrado

Duração do curso: 26/01 a 13/02 (Costura) e 23/02 a 27/02 (Bordado)

Local:  Centro de Convivência COSE – Bernardo Sayão, QNM 36/38 AE, M Norte, Taguatinga – DF

Horário: 14h às 18h

Custo: totalmente gratuito

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