No último dia 07.04 a OMS (Organização Mundial da Saúde), através do dia mundial da saúde, convidou a todos para “conversar sobre depressão”, verificamos então que foram publicados artigos e reportagens para esclarecimento e conscientização sobre o tema. Considerando que o tema Depressão ainda aparece em nosso cenário cercado de estigma e preconceito por parte da sociedade e inclusive de familiares e parentes de pessoas que sofrem desse transtorno, trago nesse artigo uma abordagem sobre Depressão e Trabalho, com a intenção de esclarecer um pouco sobre o assunto e assim possibilitar a transformação através do conhecimento.
Episódios depressivos relacionados ao trabalho podem aparecer de forma sutil. Existem, portanto fatores de risco de natureza ocupacional conhecidos, tais como: decepções sucessivas em situações de trabalho frustrante, perdas acumuladas em anos de trabalho, exigências excessivas de desempenho, excesso de competição que resulta em ameaça permanente de perda do lugar ou hierarquia, demissão e outros. Alguns estudos comparativos controlados, têm mostrado maior prevalência de depressão em digitadores, operadores de computadores, datilógrafas, advogadas, educadores especiais e consultores; e acrescentaria também atividades onde a pressão com números seja demasiada.
De acordo com o Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde (2001), alguns episódios depressivos podem ser associados à exposição ocupacional às substâncias tóxicas: brometo de metila; chumbo, manganês; mercúrio e seus compostos; sulfeto de carbono; tolueno e outros solventes aromáticos ou orgânicos tóxicos. Trabalhadores expostos a essas substâncias, excluídas outras causas não ocupacionais, podem ser enquadrados no grupo em que o trabalho desempenha o papel de causa de episódios depressivos; e podem estar associadas aos transtornos mentais orgânicos induzidos por substâncias químicas, como a demência, o delirium e outros.
O quadro clínico, ou seja, os sintomas apresentados em episódios depressivos, são os mesmos que também aparecem relacionados a outras causas; são eles: humor triste ou diminuição do interesse ou prazer; além de diminuição ou aumento de apetite com perda ou ganho de peso; insônia ou excesso de sono; agitação ou retardo psicomotor; fadiga ou perda de energia; sentimento de culpa ou desesperança exagerada; indecisão, dificuldade para pensar e se concentrar; pensamentos recorrentes de morte.
O Tratamento deve iniciar com a procura de profissionais da saúde mental; que prescreverão os recursos terapêuticos disponíveis e adequados dependendo da gravidade de cada caso. Tratamento Farmacológico, indicado pelo médico associado a Psicoterapia; e também intervenções psicossociais; indicado inclusive orientação aos familiares do paciente, que atentem aos sintomas e ofereça suporte emocional, buscando sempre conhecer mais sobre a doença e a forma de intervenção adequada. Os colegas de trabalho, os patrões ou gerentes também devem receber orientação para como lidar com a situação de doença, especialmente quanto ao tempo para retorno ao trabalho.
A prevenção deve buscar a vigilância dos ambientes, das condições de trabalho, dos efeitos ou danos à saúde, requerendo ação integrada multiprofissional e interdisciplinar para suporte ao sofrimento psíquico do trabalhador nos ambientes de trabalho.
Roseli de Melo Braga dos Reis é Psicóloga de orientação comportamental cognitivo pós graduada em Psicologia Médica pela UFMG.