Segundo balanço contábil da Terracap 2016, o investimento na construção do estádio Mané Garrincha foi feito sem comprovação de viabilidade econômica. Com um prejuízo de 1,3 bilhão no ano.
O balanço aprovado nesta semana pelo atual conselho de administração da Terracap, relatou que não havia um modelo de exploração da arena previsto em contrato que pudesse render dinheiro à empresa, que bancou a construção do estádio de 2012 a 2014.
No período, o GDF desembolsou 1,5 bilhão para financiar a obra. O dinheiro saía da Terracap e ia direto para a Novacap, que pagava o consórcio responsável pelo empreendimento – o mais caro de todos os estádios feitos para a Copa do Mundo.
Pelos cálculos atuais, o estádio só tem capacidade de render 171 milhões durante toda a vida útil, já contando com os eventos esportivos e culturais. Isso representa cerca de 10% dos 1,5 bilhões investidos na obra. Além disso, o estádio já sofreu 55 milhões em depreciação.
“A Terracap é uma empresa hoje que honra todos os seus compromissos, mas que tem dificuldade de manter um nível de investimento necessário e condizente com a grandeza da empresa.”
Uma das dificuldades da Terracap, por exemplo, é terminar a urbanização do Noroeste. Agora, o balanço contábil da companhia vai ser enviado para a Polícia Federal e para órgãos de controle como o Ministério Público e o Tribunal de Contas.
Em julho, a intenção é de lançar um edital para conceder todo o complexo esportivo para a iniciativa privada. Seria uma tentativa de garantir a manutenção do estádio e ainda arrecadar 6 milhões por ano.
Procurado, o ex-governador Agnelo Queiroz, que promoveu a construção da arena, disse que não tomou conhecimento do balanço da Terracap e que considerou “estranha” a informação de que ele não vai se sustentar por toda a vida útil.