Por Miguel Lucena
Mais uma vez, quem pagou a conta foi a vítima. Em Planaltina, uma adolescente de 14 anos teve a vida interrompida dentro do lugar que deveria ser o mais seguro: a própria casa. O agressor não era um estranho da rua escura, mas alguém admitido no convívio doméstico, com histórico criminal conhecido e portas abertas pela confiança alheia.
O caso escancara uma ferida antiga: a negligência social com a proteção de meninas. Não basta indignar-se depois da tragédia. É preciso cautela antes. Antes de levar qualquer homem para dentro de casa, antes de naturalizar presenças, antes de ignorar sinais. Amor não pode ser cegueira; confiança não pode ser imprudência.
Enquanto o Estado falha em vigiar quem já demonstrou periculosidade, famílias precisam redobrar o cuidado. Porque, quando tudo desmorona, quase sempre é a criança quem paga a conta — e paga com a própria vida.
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