A conta eleitoral que não fecha no Distrito Federal

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Foto: Reprodução
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Por Miguel Lucena

 

A eleição para a Câmara Legislativa do Distrito Federal segue regras matemáticas claras, definidas pela legislação eleitoral. Quando partidos e federações anunciam publicamente que pretendem eleger três ou quatro deputados distritais, é necessário confrontar tais projeções com os números reais da disputa. Uma análise objetiva dos dados mostra que essas expectativas, em muitos casos, não se sustentam.

A CLDF possui 24 cadeiras. Isso significa que, se cada partido ou federação quiser eleger quatro deputados, apenas seis legendas poderiam atingir esse objetivo. Se a meta for três deputados, o limite aumenta para oito legendas. Qualquer número acima disso esbarra na própria estrutura da Casa. Entretanto, atualmente existem cerca de 29 partidos registrados no TSE, além de quatro federações partidárias, todas aptas a disputar vagas no Distrito Federal. Mesmo considerando que nem todas lançarão chapas competitivas, é evidente que o espaço político é menor do que o número de atores tentando ocupá-lo.

O cálculo do quociente eleitoral reforça esse diagnóstico. Em 2022, os dados oficiais indicaram aproximadamente 1.660.387 votos válidos para deputado distrital, distribuídos entre votos nominais e de legenda. Dividindo-se esse total pelas 24 vagas disponíveis, chega-se a um quociente eleitoral de 69.183 votos. Em outras palavras, para garantir uma vaga direta, uma legenda precisa reunir cerca de 70 mil votos em sua chapa – soma de todos os votos de seus candidatos e da legenda.
Esse número serve como parâmetro para compreender o tamanho do desafio. Para atingir três cadeiras, uma legenda deveria somar algo próximo a 210 mil votos. Para chegar a quatro cadeiras, seriam necessários cerca de 280 mil votos apenas na eleição distrital. Considerando que o total de votos válidos gira em torno de 1,6 milhão, poucas legendas conseguem atingir esse patamar.

Os resultados de 2022 mostram isso de forma concreta: os 24 eleitos vieram de 15 legendas diferentes, indicando um sistema altamente pulverizado, no qual poucas chapas alcançam o quociente e muitas dependem das regras de distribuição de sobras. Além disso, a votação individual dos distritais eleitos variou de aproximadamente 11 mil a 51 mil votos, evidenciando que o desempenho pessoal dos candidatos, embora relevante, é insuficiente se a chapa como um todo não alcançar o quociente necessário.

Diante desses dados, fica claro que a matemática eleitoral impõe limites inegociáveis. Quando diversos partidos anunciam metas de três ou quatro cadeiras, ignoram o fato de que a estrutura de 24 vagas não permite que todas essas projeções coexistam. É fundamental que dirigentes, militantes e eleitores compreendam essa realidade para evitar expectativas descoladas do cenário real.

As eleições proporcionais não se movem por desejo, mas por votos. E a soma necessária para alcançar cada cadeira é maior do que muitos imaginam. A análise serena dos números é o primeiro passo para construir estratégias políticas compatíveis com a realidade do Distrito Federal.

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