GDF está preparado para não deixar coronavírus entrar no DF

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O diretor de Vigilância Epidemiológica (DIVEP), Dr. Cássio Roberto Leonal Pterka, explanou sobre as medidas de prevenção à entrada do coronavírus, sem deixar de lado a prevenção contra dengue, sarampo e outras doenças já estabelecidas e que merecem atenção. O velho ditado continua a valer: melhor prevenir do que remediar. 

 

Tudo OK Notícias entrevistou, nesta terça-feira (4), o diretor de Vigilância Epidemiológica (DIVEP) do Governo do Distrito Federal, Dr. Cássio Roberto Leonel Pterka, para buscar mais informações e dirimir dúvidas em relação ao novo coronavírus e como o DF está preparado para atender qualquer suspeita de casos relativos à nova cepa do vírus respiratório.

Vale esclarecer que o coronavírus faz parte de uma família de vírus de origem animal, é novo. Ele se adapta a contaminar e infectar pessoas e, a partir daí, em efeito dominó acaba infectando de pessoa para pessoa. Em 2002 e 2003 surgiu o virús da Sindrome Respiratória Aguda Grave (SARS). E 2012 surgiu o MersCov e em 2009 o início do combate foi contra o H1 N1, Todos esses vírus são respiratórios. O reservatório animal para o SARS-CoV é incerto, mas parece estar relacionado com morcegos. Também  existe a probabilidade de haver um reservatório animal para o MERS-CoV, o qual foi isolado de camelos e de morcegos.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave ficou conhecida pela sigla SARS de “Severe Acute Respiratory Syndrome”. Ela é causada pelo coronavírus associado à SARS-CoV, ocorrendo os primeiros relatos na China em 2002.

O SARS-CoV se disseminou rapidamente para mais de doze países na América do Norte, América do Sul, Europa e Asia, infectando mais de 8.000 pessoas e causando entorno de 800 mortes, antes da epidemia global de SARS ser controlada em 2003. Desde 2004, nenhum caso de SARS tem sido relatado mundialmente.

Em 2012, foi isolado outro novo coronavírus, distinto daquele que causou a SARS no começo da década passada. Esse novo coronavírus era desconhecido como agente de doença humana até sua identificação, inicialmente na Arábia Saudita e, posteriormente, em outros países do Oriente Médio, na Europa e na África.

Todos os casos identificados fora da Península Arábica tinham histórico de viagem ou contato recente com viajantes procedentes de países do Oriente Médio – Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e Jordânia.

Pela localização dos casos, a doença passou a ser designada como Síndrome Respiratória do Oriente Médio, cuja sigla é MERS, do inglês “Middle East Respiratory Syndrome” e o novo vírus nomeado coronavírus associado à MERS (MERS-CoV).

Sintomas na mira

O coronavírus normais causam infecções respiratórias brandas a moderadas de curta duração. Os sintomas podem envolver coriza, tosse, dor de garganta e febre. Esses vírus algumas vezes podem causar infecção das vias respiratórias inferiores, como pneumonia.

Esse quadro é mais comum em pessoas com doenças cardiopulmonares, com sistema imunológico comprometido ou em idosos. Os coronavírus comuns que infectam humanos são alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Prevenção

O Dr. Cássio informou que como o novo coronavírus é do tipo respiratório, a melhor forma de prevenção é tomar cuidados tais como não ficar em lugares muito fechados, nem com pessoas doentes, se for imprescindível ficar em ambientes fechados onde tenham pessoas doentes, utilizar a máscara cirúrgica.

Além disso, lavar bem as mãos, evitar tocar os olhos, nariz, boca, que são portas de entrada do vírus. Ao espirrar usar lenços descartáveis e logo jogar no lixo. Não utilizar a mão em caso de espirrar, mas colocar a parte posterior do cotovelo dobrado na frente do nariz.

O novo coronavírus é bastante preocupante. O Brasil tem tomado medidas para evitar a entrada do coronavírus em território nacional. Como a quarentena para os brasileiros advindos da China no processo de repatriação. Em relação ao Distrito Federal, na DIVEP há uma equipe de vigilância que encontra-se muito bem capacitada e da mesma forma instruída. Todo o empenho dos profissionais é para evitar introdução do vírus no Distrito Federal.

Atualmente, não há caso confirmado de pessoas infectadas no Brasil. “No Distrito Federal, não tem nenhum caso suspeito. Os casos que chegaram para a gente investigar foram todos verificados e não se tratavam de casos suspeitos de coronavírus.”

O Dr. Cássio tranquiliza a população do DF no sentido de que as medidas da Sáude Pública são tomadas com bastante cuidado. “Temos trabalhado arduamente para que o vírus não entre no Brasil.”

Tudo OK Notícias quis saber se há alguma expectativa se o novo coronavírus entrará no Brasil baseado em algumas informações que seria questão de tempo chegar ao país.

“É muito difícil dizer que não vai entrar. Em comparação aos outros coronavírus anteriores, ele tem letalidade menor. Ou seja, as pessoas que adoecem morrem menos. Por exemplo, quando era a época da SARS em torno de 10% das pessoas que adoeciam, morriam. Para cada cem pessoas que ficavam doentes de SARS, 10 morriam. O coronavírus de cada 100 pessoas que adoecem, temos duas que falecem. Lógico que não queremos chegar nesse ponto. Isso mostra que é um vírus que causa menos mortes”, explicou.

Suscetibilidade à infecção

Quem está mais sujeito a ser infectado com o novo coronavírus? Segundo Dr. Cássio, as pessoas que têm imuno depressão, com mais idade, crianças que tenham algum imuno comprometimento. “Essas faixas etárias de pessoas é que estão mais suscetíveis a formas graves da doença.”

Mutações do vírus

Tudo Ok Notícias questionou Dr. Cássio como ocorrem as mutações do vírus. “É preciso salientar que essas mutações ocorrem no momento que são contraídos de animais. A proximidade que as pessoas têm seja numa forma de alimentação, adentrando em áreas de mata, tudo isso faz com que esses vírus que estão restritos a populações de animais domésticos ou animais silvestres tentem sobreviver”, informou o médico.

O diretor do DIVEP lembra que as doenças vem convivendo com humanos e animais há milhares de anos. O que se observa é a evolução muito rápida do vírus. Ele tenta se adaptar, porque a ideia é que eles continuem sobrevivendo. Os vírus fazem de tudo para se preservar.

“Quando há a interação muito próxima dos seres humanos com animais domésticos ou silvestres em um ambiente propício esses vírus acabam tendo uma adaptação e podendo infectar seres humanos”, ressaltou Dr. Cássio.

O médico acrescentou que há recomendações no trato com animais. “Não ingerir carne mal passada ou derivado, não ter contato muito íntimo com animais silvestres. Assim diminui-se a chance de que o vírus sofra essa adaptação e possa infectar”, instruiu ele.

Dr. Cássio citou ainda que há uma expressão em inglês “steal over” – cuja tradução é roubar mais – que é quando um vírus ou um patógeno é específico de uma espécie e ele se adapta a outra.

“Ele faz uma passagem, passa da espécie ele para o ser humano. Muitas vezes ele pode ser mais patogênico, causar uma doença muito maior ou não causa nada. É preciso prestar atenção nessas adaptações dos vírus e outros patógenos que passam para seres humanos e que causam doenças.”

O fato de o coronavírus ser novo faz com que as pessoas não tenham nenhuma resposta imunológica pré-definida que possa responder a isso. Como exemplo, o Dr. Cássio citou o sarampo. Trata-se de vírus que tem capacidade de infectar muito mais pessoas do que o próprio coronavírus. Se a população não estiver vacinada, as pessoas acabam adoecendo muito mais rápido, inclusive, que o coronavírus.

Vacina

No tocante ao desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus, o Dr. Cássio explicou que demanda muito tempo e pesquisa. Até porque é necessário verificar se é realmente um vírus que possa ter vacina.

“É muita novidade e é preciso trabalhar para poder resolver isso. A melhor forma que a gente tem, hoje, com as poucas informações que temos é a prevenção, lavar as mãos, usar as mesmas medidas para qualquer vírus respiratório e estar sempre vigilante. Como a gente tem feito. A nossa equipe do DIVEP, que cuida dessas emergência,s está sempre atenta”, reforçou o Dr. Cássio.

O que fazer 

Em desconfiando de qualquer caso, ir para o hospital, ou unidade de Saúde para que entre em contato com a equipe de Vigilância de Saúde. Então, é aberta a investigação, além de medicar, recomendar as medidas de bloqueio para evitar a entrada da doença no Distrito Federal. “É muito bom ressaltar que não temos nenhum caso suspeito ainda no Distrito Federal e nem um caso confirmado de coronavírus no Brasil”, complementou.

Na visão do Dr. Cássio, é importante estar alerta ao coronavírus, porém, sem esquecer das doenças que requerem prevenção.

“Não podemos esquecer das outras doenças que temos instaladas, como é a questão da dengue. É importante que se esteja atento para que o mosquito não pique. A questão do sarampo, como falei agora. Vamos começar uma nova campanha do sarampo para as crianças. É importante pensar no coronavírus, mas não esquecer das outras doenças que já temos aqui”, concluiu o diretor do DIVEP do GDF.

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