Cinco casas de apoio a moradores de rua que têm parceria com o governo do Distrito Federal decidiram que não irão fazer novos atendimentos por atraso no pagamento do serviços. Funcionários das instituições reuniram-se em assembleia por volta das 14h desta quarta-feira (19). Segundo o representante de uma das casas, os débitos estão atrasados “há quase três meses”.
A Secretaria de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh), responsável pela contratação, informou que somente o pagamento de março está atrasado “devido à baixa arrecadação” do GDF.
De acordo com o coordenador da Casa Santo André, Cleven Rodrigues, desde o início do contrato – firmado há quatros anos – os pagamentos sempre chegaram atrasados, mas “a partir de setembro do ano passado, a situação foi piorando”.
Somente na Casa Santo André,, que fica no Gama, há 220 pessoas abrigadas. Destas 40 são mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade social. “Essas pessoas vão acabar voltando pra rua, porque sem água e luz não tem como acolher. A situação é extrema”, disse Rodrigues. “Diversas vezes tivemos que colocar dinheiro do próprio bolso.”
A Casa Santo André também é contratada para abordar moradores de rua que precisam de ajuda pontual. O serviço atende cerca de 2 mil pessoas por mês, segundo a própria Sedestmidh. Com a paralisação parcial das casas de acolhimento, apenas 30% dos funcionários vão permanecer atuantes.
Para a presidente da Casa Azul, Daise Moisés, os constantes atrasos revelam a “falta de compromisso deste governo com a assistência social”. A entidade, que fica em Samambaia, desenvolve atividades de convivência e fortalecimento de vínculos com 1.940 crianças e adolescentes – todas encaminhadas pelo Centro de Referência em Assistência Social (Cras).
Segundo o coordenador da Casa Santo André, representantes das instituições reuniram-se com a Sedestmidh nesta terça (18), mas não receberam nenhuma previsão de quando serão repassados os recursos. “Antes eles davam pelo menos um prazo”, disse Rodrigues.
A pasta informou por meio de nota que “está realizando os esforços necessários para que o pagamento seja regularizado o mais rápido possível”, mas disse que não pode prever uma data porque é apenas “contratante e executora” do serviço.
A Secretaria de Estado de Fazenda informou que “o governo de Brasília aguarda a disponibilidade financeira para a resolução da pendência”.G1