MASSACRE EM BLUMENAU: FALHAMOS COMO PAÍS?

Compartilhar:
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram

 

 

Eu vou iniciar a minha reflexão com o comentário realizado pelo ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, Silvio Almeida, ontem (5), sobre a tragédia ocorrida na creche Cantinho do Bom Pastor, em Blumenau (SC), onde ele afirmou:

 

“Um país — um mundo, né? — que mata crianças é tudo menos democracia. É tudo menos um mundo decente. Eu sinto ter que dizer isso hoje. Mas eu estou dizendo isso hoje porque é só assim que a gente vai conseguir entender o que nós temos que fazer para mudar. Senhoras e senhores, nós estamos falhando miseravelmente com as crianças e com os adolescentes. Nós estamos falhando miseravelmente com as pessoas que mais precisam de nós nesse país, e nós temos que admitir isso pra poder dar um passo pra frente”.

 

Esta afirmação me faz refletir sobre os motivos que levam um indivíduo a realizar tal atrocidade e quais são as falhas existentes, primariamente, no Estado, para que tais eventos ocorram.

 

O ataque ocorrido ontem (5), em Blumenau (SC), não é o primeiro ataque a uma creche ou escola no estado. Em maio de 2021, um homem de 18 anos invadiu a creche Aquarela, na cidade de Saudades (SC), e assassinou três crianças e duas funcionárias com facadas.

 

Em 13 de março de 2019, em Suzano (SP), Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos,  e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, invadiram a Escola Estadual Raul Brasil para assassinar dez pessoas, numa tentativa de imitar o massacre na escola de Columbine, no Estado americano do Colorado, em 1999, quando dois alunos assassinaram 13 pessoas e feriram 24.

 

Em novembro de 2022, em Aracruz (ES), nas escolas Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Primo Bitti e Centro Educacional Praia de Coqueiral, um adolescente de 16 anos, assassinou quatro pessoas e feriu doze. No fim de março de 2023, em São Paulo, um aluno de 13 anos atacou diversas pessoas com uma faca em uma escola estadual. Uma professora morreu e outras quatro pessoas ficaram feridas.

 

A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), hoje (5), identificou Luiz Henrique Lima, de 25 anos, como o autor do ataque à creche em Blumenau (SC). O homem, segundo a PCSC, já possui ao menos 4 passagens pela polícia. Em 2016, por briga em uma casa noturna. Em 2021, por ter esfaqueado o padrasto. E, finalmente, em 2022, por porte de drogas (cocaína) e, no final ano, por invasão à casa do padrasto, onde esfaqueou no local o cachorro da família.

 

A violência em escolas é uma realidade preocupante em todo o mundo, e nos Estados Unidos, em particular, os ataques a escolas públicas têm sido frequentes nas últimas décadas. Vários fatores têm sido apontados como motivadores desses ataques, incluindo a influência das políticas públicas, a corrupção, a polarização política, a radicalização, o desenvolvimento social e a globalização, bem como a falta de moralidade por parte do executivo, legislativo, judiciário e imprensa.

 

Uma das questões mais importantes que surgem em relação aos assassinos de escolas é a possibilidade de serem psicopatas. Embora nem todos os assassinos sejam psicopatas, muitos deles apresentam características que os levam a agir com extrema violência e sem empatia pelos outros. A falta de empatia, juntamente com uma tendência a comportamentos antissociais e impulsivos, são características comuns de psicopatas.

 

Um relatório intitulado “Averting Targeted School Violence” (Prevenindo a violência direcionada em escolas), do Serviço Secreto dos Estados Unidos, aponta que a maioria dos atacantes de escolas apresentou sinais de preocupação para outras pessoas antes do ataque. Alguns desses sinais incluem problemas de saúde mental, questões comportamentais, comportamento violento e manifestação de intenções violentas.

 

O relatório também destaca que a maioria dos atacantes de escolas tinha algum tipo de “queixa” ou “injustiça” que sentiam ter sofrido. Isso pode incluir bullying, isolamento social, problemas familiares, dentre outros. A combinação desses fatores pode criar um ambiente propício para a violência, especialmente para aqueles com tendências psicopáticas.

 

Alguns dos assassinos de escolas tinham inclinações ideológicas extremistas, incluindo o nazismo e a supremacia branca. Outros apresentaram sintomas psicóticos, bem como um desejo de fama e notoriedade. A violência contra mulheres também foi um tema recorrente em alguns casos.

 

O relatório concluiu que os principais motivos dos ataques foram: 45% sentimento de injustiça, bullying ou descontentamento social; 15% simples desejo de matar; 13% suicida; 12% buscam pela fama ou notoriedade; 3% sentimento anti-feminino; 3% supremacia branca ou extremismo; 1% psicopatias; e 3% outros.

 

Além disso, o relatório destaca que muitos desses assassinos de escolas tinham fácil acesso a armas de fogo. Nos Estados Unidos, a cultura das armas de fogo é muito forte, e a facilidade de adquirir armas de fogo torna a violência armada muito mais comum do que em outros países.

 

Em suma, os ataques a escolas públicas nos Estados Unidos são um problema complexo, e a solução passa por uma abordagem multifacetada, incluindo o fortalecimento da legislação de controle de armas de fogo, o acesso a tratamento de saúde mental, a prevenção do bullying e a identificação precoce de sinais de alerta em indivíduos com tendências psicopáticas. Embora alguns dos assassinos possam ter sido influenciados por ideologias extremistas, como o nazismo ou o terrorismo, a maioria dos casos não pode ser diretamente relacionada a essas causas.

 

Além disso, é importante destacar que as consequências desses ataques vão muito além das vítimas imediatas e de suas famílias, afetando profundamente toda a comunidade escolar e gerando medo e insegurança na população em geral. Portanto, para iniciar a conversa, é fundamental que haja um esforço coletivo, principalmente das nossas autoridades públicas, para prevenir esses incidentes, investindo em políticas públicas que promovam o bem-estar emocional dos jovens, reduzam a violência e melhorem o acesso a serviços de saúde mental, além de regulamentar de maneira mais rigorosa a posse de armas de fogo. Somente assim poderemos esperar um futuro mais seguro e harmonioso para as comunidades escolares e a sociedade como um todo.

 

Paulo Medeiro

Jornalista, Cientista de Dados, Mestre em Inteligência Artificial e Robótica,  Especialista em Inteligência de Mercado e Comércio Internacional.

@paulomedeirooficial

Mais lidas

A FAMA DOS ALAGOANOS VIOLENTOS E O IMPEACH...
Sesc-DF oferece consultas e exames gratuit...
Novos benefícios sociais: Cartão Prato Che...
...