DF lidera oferta de exame genético gratuito para prevenção do câncer no SUS
O Distrito Federal se tornou a primeira unidade da Federação a oferecer exames genéticos no SUS para identificar predisposições ao câncer de mama, ovário e outros tumores hereditários. O projeto-piloto, lançado pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), disponibiliza gratuitamente o painel de genes para mapeamento molecular, e, em caso de risco identificado, o paciente terá acesso a um programa de prevenção e acompanhamento personalizado.
O exame será realizado pelo Laboratório de Biologia Molecular do Hospital de Apoio de Brasília (HAB), com apoio da Unidade de Genética (Ugen). A iniciativa cumpre a Lei nº 6.733/2020, que exige que a rede pública de saúde do DF ofereça esse tipo de teste para mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama.
Inovação e impacto econômico
Claudiner Oliveira, assessor técnico do laboratório, destacou que o exame antecipa o diagnóstico, reduzindo tanto os danos à saúde das pacientes quanto os custos para o sistema público: “Ao detectar o risco com antecedência, podemos diminuir os casos e os danos provocados pela doença, beneficiando o bem-estar da paciente e reduzindo os gastos para o Estado.”
Uma ação alinhada ao Outubro Rosa
A vice-governadora Celina Leão ressaltou a importância do exame, especialmente no contexto do Outubro Rosa, mês de conscientização sobre o câncer de mama. “Com mais de 73 mil novos casos previstos até 2025, precisamos agir para prevenir a doença. Esse exame é um passo essencial para salvar vidas”, afirmou.
O chefe da Unidade de Genética do HAB, Gerson da Silva Carvalho, explicou que o câncer tem um componente genético em 5% a 20% dos casos e que o exame permite identificar a predisposição para tumores hereditários. “Antes, o paciente arcava com o custo do teste. Agora, oferecemos esse serviço gratuitamente, algo inédito no Brasil.”
Estrutura e investimento

Para implementar o exame, o DF investiu cerca de R$ 600 mil na aquisição de equipamentos de sequenciamento de nova geração e insumos. O sistema pode atender 240 mulheres ainda este ano, com o processo completo de coleta, análise genética e acompanhamento médico.
Após a coleta do material genético, o resultado leva até 60 dias para ser concluído. Pacientes com predisposição terão acesso a exames regulares de imagem e bioquímicos, permitindo um diagnóstico precoce e um tratamento mais eficaz.
Capacitação da equipe

A equipe técnica do laboratório concluiu, na última sexta-feira (18), um treinamento especializado para garantir a padronização e eficiência no sequenciamento genético. A atividade envolveu médicos geneticistas, biólogos e biomédicos.
David Uchoa, médico geneticista do HAB, enfatizou que a capacitação é essencial para garantir diagnósticos precisos e prevenção eficaz. Já Carolina Amaro, auxiliar de Patologia Clínica, destacou o impacto positivo da nova tecnologia: “Ver esse avanço chegar ao SUS é um grande passo para a saúde pública.”
Com informações Agência Brasília