Somos todos iguais, ao menos no fedor das matérias orgânicas

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Foto: Divulgação
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Por Miguel Lucena

Por que os esgotos dos ricos, quando desembocam nas praias dos bairros chiques, fedem tanto quanto os dos pobres? Deveriam exalar perfume francês, na exata medida da vaidade de quem evacua seus restos orgânicos?
A pergunta é irônica, mas pedagógica. A desigualdade é tamanha que cega: há quem acredite que o dinheiro refina até o que o corpo rejeita. Não refina.
O intestino é democrático. A matéria orgânica não conhece sobrenome, nem conta bancária. O cheiro é o mesmo, o destino é o mesmo, o impacto é coletivo.
No fim, a natureza cobra a conta sem desconto: o mar devolve o que recebe. Talvez aí resida a lição mais simples — e mais ignorada — de que, pelo menos nesse quesito, somos todos iguais.

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