Por Miguel Lucena
Na campanha eleitoral de 2018, convidaram-me para uma reunião no Riacho Fundo II, Distrito Federal. Antes do bate-papo com os presentes, o dono da casa — uma instituição cujo nome deixo de declinar — puxou-me para um cômodo à parte. Abriu uma pasta estufada e despejou sobre a mesa um maço de contas de água vencidas. Eram muitas, coisa de mais de dois anos de inadimplência, papel amarelado, valores corrigidos, avisos em vermelho.
A cena pedia solidariedade, promessa, discurso. Minha reação, porém, saiu seca e involuntária, como quem tropeça na própria língua: “Oxe, e ainda não cortaram?”. O homem ficou sem chão. A campanha seguia, mas ali ficou a lição: há encontros em que a realidade fala mais alto que qualquer palanque. E certas “pérolas” não brilham — escorrem.
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