Por Miguel Lucena
Na capital do capital, onde o metro quadrado respira dólar e a calçada transpira status, realizou-se a grande ceia dos “sugar babyes”. Um baile veneziano, desses que misturam mistério e presunto cru, queijo de cabra e até ovas de peixe — porque ninguém se vende barato sem um canapé de pedigree.
Os homens, engravatados até a alma, desembolsaram R$ 11 mil para o privilégio de conhecer mocinhas cujo maior talento é prometer futuro dourado em troca de um presente já faturado. As mulheres, por sua vez, entraram mascaradas, mas a planilha da vida real continua escancarada: algumas parcelando a vaidade no cartão, outras vendendo o charme como se fosse ação da B3.
No salão, brindava-se a hipocrisia com taças de champanhe. Do lado de fora, a plebe sem máscara contava moedas para o ônibus. A mídia, elegante e cúmplice, chamava de “festa vip” o que, nos grotões, sempre foi conhecido pelo nome cru e sem queijo: prostituição.
E assim segue o baile: entre máscaras venezianas e ilusões financeiras, onde o amor custa caro e a farsa sai de graça.