Ex-presidente do Banco Central critica intervenções do STF e do TCU e afirma que liquidação do Banco Master é decisão técnica e correta
Ex-presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso, o economista Armínio Fraga classificou como “estapafúrdia” a acusação de que o Banco Central teria agido com precipitação ao decretar a liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Em entrevista ao jornalista Álvaro Gribel, do O Estado de S. Paulo, Fraga afirmou ver com preocupação as recentes intervenções do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) no caso.
Segundo o economista, que é uma das vozes mais respeitadas do mercado financeiro, a hipótese de reversão da liquidação é “absurda” e não encontra respaldo técnico. Para ele, as atuações de ministros das duas cortes no processo não fazem sentido diante da natureza eminentemente técnica das decisões tomadas pelo Banco Central.
Apesar das críticas, Fraga ressaltou que não vê problema algum em o trabalho do BC ser auditado ou em processos passarem por revisões institucionais. No entanto, afirmou que esse não parece ser o movimento em curso. “É algo extremamente estranho o que está acontecendo agora. Como esse tema envolve relações de poder em todo o espectro político, é um caso em que, pelo visto, tem muita gente querendo assar uma pizza do tamanho do Maracanã”, declarou.
Fraga também destacou que os sinais de fragilidade no Banco Master já eram conhecidos há vários anos e que é praticamente impossível que o Banco Central tenha cometido erro na avaliação dos ativos problemáticos da instituição. “Não há nada interpretativo nessa análise. É absolutamente técnica”, afirmou.
Ir para o conteúdo





