Brasil segue entre os piores no Índice de Percepção da Corrupção em 2025, frustrando promessa de reconstrução institucional do governo Lula e ampliando distância em relação a países líderes em transparência
Por Josiel Ferreira
A estagnação do Brasil na 107ª posição do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025, divulgado pela Transparência Internacional, expõe um dado incômodo para o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): apesar do discurso de reconstrução institucional e do resgate da credibilidade democrática, o país segue incapaz de apresentar resultados concretos no combate à corrupção. O avanço de apenas um ponto em relação ao pior desempenho histórico registrado no ano anterior não representa uma recuperação, mas sim um sinal de paralisia.
Com apenas 35 pontos em uma escala que vai de 0 a 100, o Brasil permanece entre os países com percepção elevada de corrupção, distante não apenas das democracias consolidadas, mas também de nações emergentes que conseguiram fortalecer seus mecanismos de controle. O dado é ainda mais simbólico quando comparado ao desempenho de 2023, primeiro ano do atual governo, quando o país ocupava a 104ª posição. Em vez de recuperação, o que se observa é a consolidação de uma tendência negativa.
O contraste com 2022 é inevitável. No último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), o Brasil figurava na 96ª colocação. Embora aquele período tenha sido marcado por ataques retóricos às instituições e conflitos constantes com o Judiciário, os números do ranking indicam que, sob Lula, a promessa de reposicionar o país como referência em integridade pública não se materializou. A retórica anticorrupção foi substituída por uma prática política que tolera — e em alguns casos estimula — mecanismos historicamente associados à opacidade, como a ampliação do volume de emendas parlamentares sem transparência efetiva.
A Transparência Internacional é direta ao apontar fatores que fragilizam o ambiente institucional brasileiro: o crescimento das emendas, escândalos envolvendo fraudes no INSS e no Banco Master e a percepção de enfraquecimento da fiscalização. Esses episódios não são pontuais; refletem um modelo de governabilidade baseado na acomodação política e na troca de apoio por recursos, prática que Lula conhece bem e que voltou a ocupar papel central no funcionamento do Executivo.
Outro ponto sensível destacado no relatório é a credibilidade do Poder Judiciário. A recomendação para a adoção de um código de conduta para ministros do Supremo Tribunal Federal, proposta apresentada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, evidencia que a crise de confiança não se limita ao Executivo ou ao Legislativo. Em democracias maduras, como Dinamarca, Finlândia e Cingapura — líderes do ranking —, a integridade institucional é sustentada por regras claras, previsibilidade e limites rígidos à atuação dos agentes públicos, inclusive magistrados.
A comparação internacional escancara o abismo. Enquanto países no topo do índice investem em transparência, accountability e independência real das instituições, o Brasil segue preso a soluções cosméticas e discursos políticos que não se convertem em reformas estruturais. O resultado é a manutenção de um ambiente permissivo, no qual a corrupção não é necessariamente incentivada, mas tampouco é combatida com a firmeza necessária.
Ao permanecer ao lado de países marcados por fragilidade institucional, o Brasil envia um sinal negativo ao mercado internacional, a investidores e à própria sociedade. A percepção global é clara: o governo Lula, apesar da narrativa de reconstrução democrática, optou pela estabilidade política a qualquer custo, mesmo que isso implique relativizar práticas que corroem a confiança pública.
O IPC 2025 funciona, assim, como um espelho incômodo. Ele revela que a mudança de governo não foi acompanhada de uma mudança de cultura política. Sem enfrentar privilégios, reduzir a opacidade no uso de recursos públicos e impor limites claros às instituições, o país continuará preso a um ciclo de promessas, escândalos recorrentes e resultados medíocres — cada vez mais distante dos padrões internacionais que diz almejar.
Estagnado abaixo da média global, o Brasil registrou apenas 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção, mantendo um desempenho que não avança há 10 anos.
O levantamento avalia 182 países e utiliza uma escala de 0 a 100, em que pontuações mais altas indicam maior integridade… pic.twitter.com/W4R9IXBRxN
— Transparência Internacional – Brasil (@TI_InterBr) February 10, 2026

