Corretoras da seguradora da Chape se negam a falar de indenizações em CPI

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“Vossa excelência, não tenho conhecimento suficiente a respeito dessas tratativas”. Essa frase, ou versões dela, foi o que mais se ouviu na sexta reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura, no Senado Federal, o atraso no pagamento das indenizações do acidente aéreo da Chapecoense que deixou 71 vítimas fatais em novembro de 2016.

Nesta terça-feira (3), a sessão ouviu (ou tentou ouvir) o presidente no Brasil da seguradora japonesa Tokio Marine, José Adalberto Ferreira, e o mandatário brasileiro da corretora inglesa AON, Marcelo Homburguer.

As matrizes das duas empresas em Londres, na Inglaterra, atuaram diretamente na negociação de contrato da seguradora boliviana Bisa Seguros com a Lamia, que permitiu à companhia aérea exercer atividade com uma apólice 12 vezes menor que o acordo anterior.

“Como as tratativas ocorreram em outro país, sob outra jurisdição, essas informações não chegam até nós. Através da área jurídica da nossa empresa até solicitei as informações sobre o caso à matriz de Londres, mas não recebi qualquer informação”,  justificou o presidente no Brasil da AON, Marcelo Homburguer.

Presidente da Tokio Marine Brasil, José Adalberto Ferreira — Foto: Marcelo Cardoso/GloboEsporte.com

Presidente da Tokio Marine Brasil, José Adalberto Ferreira — Foto: Marcelo Cardoso/GloboEsporte.com

“O que posso dizer é que levei ao conhecimento deles (representantes da Tokio Marine inglesa) que estavam sendo citados na CPI, e pedi pra que possam resolver a situação o mais rápido possível. Mas não tenho conhecimento de muitas das informações a respeito das negociações desse seguro específico”, se defendeu José Adalberto Ferreira, mandatário da Tokio Marine no Brasil.

A postura dos dois empresários indignou senadores e vítimas e familiares da tragédia que participaram da sessão. Entre eles, destaque para o ex-zagueiro e hoje superintendente de futebol da Chapecoense, Neto, sobrevivente do acidente. Foi a segunda vez que Neto participou de uma sessão da CPI em Brasília.

Ex-zagueiro Neto compareceu à sexta reunião da CPI da Chape, em Brasília — Foto: Marcelo Cardoso/GloboEsporte.comEx-zagueiro Neto compareceu à sexta reunião da CPI da Chape, em Brasília — Foto: Marcelo Cardoso/GloboEsporte.com

Ex-zagueiro Neto compareceu à sexta reunião da CPI da Chape, em Brasília — Foto: Marcelo Cardoso/GloboEsporte.com

“Eu perdi muitos amigos, perdi ídolos, perdi os melhores presidentes que tomaram conta de um clube que eu vi de perto. E desde que fomos em Londres, tudo o que a gente vê é um afastamento das empresas. Lá colocaram seguranças para impedir nossa entrada, e aqui há uma segurança de palavras. É o mesmo afastamento, a mesma tática. Parece que as pessoas estão brincando com a situação”, lamentou Neto.

O jogador voltou a pedir a ajuda do Governo para resolver o imbróglio. Em entrevista recente ao jornal argentino Olé, Neto já reclamou da atuação das seguradoras e resseguradoras que, segundo ele, tentam usar as vítimas como produtos no caso. Hoje, ele se disse cansado de lutar por justiça depois de tanto tempo. “Eu estou cansado, sinceramente. Estamos cansados de tudo isso. E mais uma vez a gente chega aqui e vê o descaso dessas empresas. Tem que acontecer alguma coisa, porque a gente não aguenta mais.”

Expectativa adiada

Sem respostas na reunião desta terça, a esperança de senadores e familiares agora é por esclarecimentos no próximo dia 17 de março, quando aí sim, mandatários das filiais inglesas da AON e da Tokio Marine (incluindo um representante da matriz da empresa no Japão) serão interrogados pela CPI.

Na próxima semana, a comissão vai ouvir os empresários venezuelanos Ricardo e Loredana Albacete, antigos donos da companhia aérea Lamia, que decretou falência em 2017.

Entenda o caso

Na época do acidente, o seguro da aeronave da Lamia era de US$ 25 milhões (cerca de R$ 104 milhões), mas os advogados das famílias contestam os valores. Eles dizem que, até 2015, a apólice era de US$ 300 milhões (R$ 1,24 bilhão) e, a partir de 2016, mesmo com o risco ampliado por passar a transportar atletas de clubes de futebol, a apólice caiu de valor.

Os advogados das famílias dizem que a Aon é responsável pela avaliação de risco de seguros e que tinha conhecimento que a aeronave sobrevoaria áreas de risco, como a Colômbia. Para não fazer o pagamento da indenização, a empresa de seguro alega que a apólice não estava paga, porém, segundo os advogados das famílias, não houve uma comunicação sobre o não pagamento da apólice às autoridades locais, o que impediria o voo.

Caixões com as vítimas da tragédia aérea da Chapecoense, em novembro de 2016 — Foto: Reuters

Caixões com as vítimas da tragédia aérea da Chapecoense, em novembro de 2016 — Foto: Reuters

Embora se recusem a pagar o seguro, duas empresas – Tokio Marine Kiln, sede inglesa da seguradora nascida no Japão, e a boliviana Bisa – fazem parte de um fundo humanitário que ofereceu um repasse de dinheiro às famílias das vítimas. Elas ofereceram cerca de R$ 935 mil para cada uma. Em troca, os beneficiários teriam de desistir das ações na Justiça. Ao todo, 23 famílias toparam o acordo. E 48, não.

As pessoas que organizam o protesto em Londres calculam que o valor devido pela Aon, Tokio Marine Kiln e Bisa varia entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões (de R$ 16 milhões a R$ 20,8 milhões) para cada família.

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