Com prazo de desincompatibilização se aproximando, Celina Leão desponta como principal nome da base governista na sucessão ao GDF, enquanto a oposição enfrenta divisão e incertezas para 2026
Por Josiel Ferreira
Faltando quase oito meses para o pleito eleitoral de 2026 no Distrito Federal, o xadrez político local já começa a ser redesenhado. Com a proximidade do prazo legal de desincompatibilização, o Governo do Distrito Federal (GDF) se prepara para uma profunda reformulação no primeiro escalão. Os gestores que pretendem disputar as eleições deverão deixar os cargos até abril de 2026.
A sucessão do governador Ibaneis Rocha (MDB) não envolve apenas a troca de comando no Palácio do Buriti, mas também uma ampla reorganização das forças políticas locais, com reflexos diretos no cenário federal.
Nesse contexto, a vice-governadora Celina Leão (PP) surge como o nome mais competitivo do campo governista. Aliada fiel de Ibaneis no afastamento de 8 de janeiro e com trajetória consolidada na Câmara Legislativa e na Câmara dos Deputados, Celina construiu capital político ao longo dos últimos anos, participando ativamente das decisões estruturantes da atual gestão durante o período de afastamento. Sua atuação como líder política fortaleceu sua imagem de gestora preparada. Sua candidatura representa a continuidade administrativa com estabilidade institucional — um ativo valorizado em tempos de incerteza política.
Enquanto isso, um dos nomes que tenta se manter no debate público enfrenta impedimentos legais. O ex-governador José Roberto Arruda, condenado por improbidade administrativa, segue inelegível até 2032, conforme decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mesmo assim, insiste em atuar politicamente, em um movimento que gera questionamentos sobre o respeito às decisões judiciais e às regras eleitorais vigentes.
No campo majoritário, o próprio governador Ibaneis Rocha já sinalizou que deverá disputar o Senado Federal. Ao seu lado, desponta Michelle Bolsonaro, que transferiu seu domicílio eleitoral para Brasília em julho de 2025, cumprindo o requisito legal para eventual candidatura. À frente do PL Mulher, Michelle ampliou sua visibilidade nacional e é tratada pelo partido como prioridade estratégica na corrida ao Senado, embora ainda não tenha oficializado sua intenção de disputar o cargo.
A oposição coloca a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) como pré-candidata ao Senado, buscando criar discórdia e alegando uma disputa interna, a fim de desgastar o governador Ibaneis, que concorrerá ao Senado Federal. Contudo, pesquisas recentes indicam que Michelle Bolsonaro e Ibaneis Rocha lideram o cenário para as duas vagas, o que tende a reduzir o espaço político para outras pretensões dentro do mesmo campo.
Já a esquerda enfrenta um cenário de fragmentação. Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB) e José Roberto Arruda (PSD) — este inelegível pela Justiça Eleitoral — lançaram pré-candidaturas ao Governo do DF, mas ainda não avançaram na construção de uma chapa unificada. A falta de consenso tem dificultado a consolidação de uma alternativa competitiva ao grupo.
Para o Senado, o campo progressista articula os nomes da deputada Erika Kokay (PT) e da senadora Leila do Vôlei (PDT). Apesar das movimentações, o ambiente nacional impõe desafios. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) aponta que 57% dos eleitores avaliam negativamente a permanência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no comando do País. No Distrito Federal, tradicionalmente mais crítico ao governo federal, esse cenário pode transformar a disputa local em um palanque nacionalizado, favorecendo a polarização e ampliando o desgaste do campo petista.
Diante desse quadro, Celina Leão avança como a principal representante da continuidade e da governabilidade no DF. Com o apoio da atual estrutura de governo, articulação partidária consolidada e uma oposição fragmentada, a vice-governadora entra na pré-campanha em posição estratégica, reunindo condições políticas para liderar a sucessão no Buriti.
Vale lembrar que o cenário pode mudar assim que sair a decisão sobre a inelegibilidade do pré-candidato José Roberto Arruda (PSD).
