Silêncio ensurdecedor do PT no caso Banco Master

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Foto: Redes Sociais
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Silêncio seletivo: ala petista ignora escândalo do Banco Master e tenta transferir foco em ano eleitoral

 

 Por Josiel Ferreira

A postura da ala petista diante do escândalo envolvendo o Banco Master tem evidenciado o que críticos classificam como uma estratégia de “dois pesos e duas medidas”. Desde que a Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal, em 18 de novembro de 2025, revelando um amplo esquema de irregularidades financeiras, parlamentares ligados ao PT no Distrito Federal optaram pelo silêncio quando o caso tangencia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que intensificam ofensivas políticas contra o Governo do Distrito Federal, inclusive com novos pedidos de impeachment.

A prioridade do grupo, segundo bastidores do Congresso, tem sido blindar o presidente de qualquer contaminação política do escândalo, desviando o foco das investigações e direcionando o debate para a esfera local. Parlamentares distritais e federais do PT no DF não se manifestaram publicamente sobre o encontro ocorrido em 2024 entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, recebido no Palácio do Planalto fora da agenda oficial.

Também permanece sem explicações o envolvimento do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que, conforme revelações, teria recebido cerca de R$ 1 milhão mensais do Banco Master para atuar como consultor. A contratação teria ocorrido a pedido do ex-governador da Bahia Jacques Wagner, atual líder do governo Lula no Senado Federal. Até o momento, nem o Planalto nem a cúpula petista esclareceram os termos dessa relação.

Outro ponto sensível diz respeito aos contratos firmados entre o governo federal e a Biomm — empresa de biotecnologia da qual Daniel Vorcaro é acionista majoritário por meio do Banco Master. Em 2025, a companhia fechou acordos superiores a R$ 303 milhões com o Ministério da Saúde para o fornecimento de insulina ao Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo insulina humana e glargina. A oposição questiona a transparência e os critérios desses contratos, enquanto o PT evita o debate público.

O silêncio se estende ainda ao contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que teria recebido R$ 5 milhões por serviços de consultoria jurídica. O vínculo teria sido mantido mesmo após Lewandowski assumir o comando do Ministério da Justiça, em fevereiro de 2024 — fato que também não gerou manifestações da base governista.

Paralelamente, o Banco Central conduz uma investigação interna para apurar as circunstâncias que levaram à liquidação do Banco Master. Além de fraudes financeiras, há suspeitas de irregularidades na venda de crédito consignado a aposentados e pensionistas, bem como indícios de conexão com esquemas de fraudes no INSS, que envolveriam, segundo denúncias, o filho do presidente, Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha.

Apesar dos esforços da base governista, a oposição no Congresso Nacional conseguiu reunir as assinaturas necessárias para a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. Diante da inevitabilidade da comissão, o PT passou a atuar para garantir espaço e controle na condução dos trabalhos, numa tentativa de minimizar danos políticos.

Nos bastidores, a avaliação é de que o governo não busca esclarecer os fatos, mas sim controlar a narrativa e o ritmo das investigações. Para críticos, o interesse do Palácio do Planalto em comandar a CPMI não se explica pelo compromisso com a verdade, mas pela necessidade de blindagem política em um cenário pré-eleitoral cada vez mais sensível.

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