Por Miguel Lucena
As vozes que anunciam o fim
não falam do mundo —
falam de si.
Misturam fé com poder,
medo com conveniência,
e erguem altares
sobre ruínas imaginadas.
Dizem que o mal cresceu,
que as pessoas pioraram,
mas esquecem as guerras antigas,
as fogueiras,
a escravidão,
os abismos que cavamos
muito antes de hoje.
O discurso do caos
sempre tem dono.
Alguém lucra com o medo,
alguém se assenta no trono
dos escombros anunciados.
E eu pergunto,
no silêncio que resta:
Quem decide
quem é Cristo?
Quem aponta
o Anti-Cristo?
Talvez o fim dos tempos
não seja profecia —
seja estratégia.
E o mundo,
apesar de tudo,
continue pedindo
o mesmo de sempre:
menos medo,
mais lucidez.
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