Deus não brinca de jogar raios

Compartilhar:
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
[views count="1" print= "0"]
Foto: Divulgação
[tta_listen_btn listen_text="Ouvir" pause_text="Pause" resume_text="Retomar" replay_text="Ouvir" start_text="Iniciar" stop_text="Parar"]

 

Por Miguel Lucena

Há quem imagine Deus lá em cima, de sandália descalça nas nuvens, brincando de mirar raios em passeatas, como quem acende estalos de São João. Bobagem. Deus não tem esse tempo ocioso que os homens inventam para Ele — esse tempo ocioso é nosso, humanos que somos, ocupados demais em distribuir culpas e desculpas para não encarar a própria responsabilidade.

Dizem por aí que Deus criou o mundo e, depois, entregou as chaves da casa à humanidade, como quem diz: “Agora é com vocês.” E seguimos, desde então, fazendo reformas tortas, derrubando paredes mestras, tapando buracos com papel e esperança.

Mas há quem jure que Ele ainda sussurrou outra coisa, num canto mais fundo do silêncio:
— Se virem. Quando o fim se aproximar, quando o Sol se cansar e quiser virar uma nebulosa fria, eu volto. Aí acertamos as contas.

O raio que caiu na passeata não veio das mãos de Deus — veio da atmosfera, da física, das nuvens carregadas sobre um país igualmente carregado. O que acerta as pessoas não é a ira divina, é a imprudência humana, essa mania de transformar tragédias naturais em discursos prontos.

Deus não brinca de jogar raios.
Quem brinca com o destino — e com a própria sorte — somos nós.

Mais lidas

Deus não brinca de jogar raios
Nikolas visita vítimas de raio em Brasília
STF ouve executivos sobre fraudes no Banco...
...