Ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi contratado pelo Banco Master, barrado pelo Banco Central, após pedido do senador Jaques Wagner
O ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma Rousseff (PT), Guido Mantega, foi contratado pelo Banco Master para prestar serviços de consultoria após um pedido feito diretamente pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A contratação levanta questionamentos sobre a relação entre agentes políticos, interesses privados e a atuação de ex-integrantes do alto escalão do governo.
À época, Mantega recebia cerca de R$ 1 milhão por mês e tinha como principal atribuição atuar no avanço das negociações para a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), instituição financeira pública vinculada ao Governo do Distrito Federal.
A operação, no entanto, foi barrada pelo Banco Central (BC) em setembro de 2025. Mesmo após a negativa do órgão regulador, a consultoria de Mantega teria sido mantida até poucas semanas antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo próprio BC em novembro do mesmo ano, após a revelação de um escândalo de fraude bilionária envolvendo a instituição.
Segundo reportagem do portal Metrópoles, a contratação do ex-ministro ocorreu pouco depois de o governo Lula desistir de indicá-lo para o Conselho de Administração da Vale, no início de 2024. A indicação foi retirada após forte reação negativa do mercado financeiro, que criticou a possível nomeação de Mantega para o cargo.
Ainda de acordo com a apuração, a intermediação do pedido de contratação teria sido feita pelo senador Jaques Wagner, que mantinha relação com o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. No período em que atuava como consultor da instituição, Guido Mantega esteve ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto, entre janeiro e dezembro de 2024.
Oficialmente, porém, os registros das agendas não indicavam qualquer menção a temas relacionados ao Banco Master, o que reforça questionamentos sobre a transparência dos encontros e o real conteúdo das tratativas realizadas no interior do governo.
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