Fim da patente da semaglutida abre caminho para genéricos no Brasil

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Foto: Reprodução
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Quebra da exclusividade do Ozempic deve ampliar concorrência e reduzir preços ainda em 2026

 

A patente da semaglutida — princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk — perde a validade no Brasil em março, abrindo caminho para a chegada de versões genéricas e similares ainda em 2026. A expectativa do setor é de que a maior concorrência amplie o consumo dos agonistas do GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Atualmente, a Anvisa analisa 13 pedidos de registro de medicamentos com semaglutida e outros nove relacionados à liraglutida, cuja patente expirou no fim de 2024.

Empresas como Biomm, EMS e União Química já confirmaram planos para lançar suas próprias versões do medicamento. A Eurofarma, por sua vez, adotou outra estratégia e fechou parceria com a Novo Nordisk, passando a comercializar semaglutida sob as marcas Extensior e Poviztra antes mesmo do fim da patente. No cenário internacional, a expiração da patente também na Índia, em março, deve impulsionar fabricantes locais com histórico de atuação em mercados pós-quebra de exclusividade.

A Novo Nordisk tentou reverter judicialmente o vencimento da patente, alegando prejuízo pela demora da Anvisa na liberação do medicamento. Em dezembro de 2025, porém, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que o prazo de 20 anos conta a partir do pedido de registro, mantendo a expiração para março de 2026. Especialistas avaliam que, diante do avanço da concorrência, a reversão jurídica tornou-se praticamente inviável.

Algumas empresas já avançaram no processo regulatório. A Biomm informou ter submetido pedido de registro à Anvisa e pretende produzir a semaglutida em sua planta de Nova Lima (MG), que recebeu investimento de R$ 800 milhões. A EMS anunciou aportes superiores a R$ 1 bilhão em uma plataforma industrial voltada à produção de liraglutida e semaglutida.

Segundo relatório do Itaú BBA, os genéricos e similares de agonistas do GLP-1 podem movimentar R$ 8,4 bilhões em 2027. A experiência recente com a liraglutida reforça a projeção: após o lançamento das versões nacionais da EMS, as vendas do medicamento cresceram mais de 150% no primeiro mês, sem redução relevante da participação da Novo Nordisk, indicando ampliação do mercado e do número de pacientes.

Com a queda de preços, volta ao debate a possível inclusão da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde informou ter solicitado prioridade à Anvisa na análise desses medicamentos, mas ressalta que, para incorporação ao sistema público, os preços precisam cair de forma significativa. Em 2025, uma tentativa de inclusão foi descartada devido ao impacto orçamentário estimado em mais de R$ 8 bilhões por ano.

Especialistas apontam ainda que, mesmo com versões mais baratas, o SUS enfrentaria o desafio da alta demanda. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 indicam que cerca de 31% dos adultos brasileiros vivem com obesidade. Nesse cenário, o uso no sistema público tende a ser restrito a pacientes com maior risco, seguindo protocolos específicos.

Lançada no Brasil em 2019, a semaglutida chegou a concentrar mais de 90% do mercado de agonistas do GLP-1. A entrada de novos concorrentes, como o Mounjaro, reduziu essa participação, mas consolidou o crescimento de um mercado que movimentou cerca de R$ 10 bilhões em 2025, impulsionando uma nova corrida global por medicamentos com efeito semelhante.

Fonte: IstoÉ Dinheiro

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