Envelhecimento ativo ganha protagonismo na terceira idade

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A força dos 60+ reinventa o conceito de velhice

 

Por Simone Salles

O mês de outubro é duplamente simbólico: celebra-se o Dia Internacional da Pessoa Idosa, instituído pela ONU em 1991, e o Dia Nacional do Idoso, criado em 2003. A data, dia 1º, busca valorizar a contribuição das pessoas acima de 60 anos, reforçar direitos garantidos por lei e chamar atenção para as necessidades de uma população que cresce em ritmo acelerado. Hoje, o Brasil já soma mais de 32 milhões de idosos, cerca de 16% dos habitantes, e, segundo o IBGE, em 2030 o número de pessoas idosas será maior que o de crianças e adolescentes de até 14 anos.

Longe de serem sinônimo de limitações, os 60+ têm ocupado um papel cada vez mais ativo na sociedade. O envelhecimento saudável e a busca por novas experiências transformaram este público em um segmento estratégico para diversos setores, especialmente o turismo. Com mais tempo disponível, maior flexibilidade para viajar em baixa temporada e cada vez mais conectados ao universo digital, idosos movimentam a economia e ajudam a reduzir a sazonalidade de destinos. O Ministério do Turismo lançou a cartilha Atender Bem Turistas Idosos, com orientações sobre um atendimento inclusivo. A ideia é oferecer aos idosos o direito de viajar com conforto, segurança e dignidade, descobrindo as belezas do Brasil.

Mas os avanços do envelhecimento ativo não escondem os desafios. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 15% das pessoas com mais de 60 anos sofrem algum transtorno psíquico, sobretudo depressão e ansiedade. No Brasil, estima-se que 14% da população idosa enfrente esse tipo de problema, muitas vezes agravado pela solidão, pela perda de vínculos afetivos ou pelo preconceito contra a idade — o chamado etarismo. Profissionais que atuam com esse segmento alertam que a saúde mental dos idosos ainda é pouco contemplada em políticas públicas, o que reflete estigmas enraizados sobre a questão.

Outro ponto que desperta preocupação é a rede de acolhimento. O país conta com cerca de 1.942 instituições com vagas públicas, onde vivem mais de 70 mil pessoas idosas. Segundo especialistas, a institucionalização, embora necessária em muitos casos, pode provocar sentimentos de abandono e impacto negativo na saúde emocional. Nesse sentido, políticas futuras devem  priorizar a manutenção da autonomia e do papel social dos idosos.

Viver mais traz, ainda, problemas específicos que vão além das limitações físicas. Solidão, distúrbios do sono, alterações de humor e transtornos como depressão, ansiedade, síndrome do pânico e demência estão entre os problemas que mais afetam a saúde mental dos idosos. Esses fatores podem comprometer o bem-estar e a autonomia, mas podem ser amenizados com apoio familiar, vínculos sociais, acompanhamento médico e, quando necessário, suporte psicoterapêutico. Envelhecer com qualidade depende, em grande parte, do fortalecimento da resiliência e do cuidado integral com a mente e o corpo.

A longevidade também traz transformações sociais profundas. A expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,4 anos, segundo o IBGE, e as projeções apontam que até 2070 quase 40% da população terá mais de 60 anos. Para lidar com essa mudança, especialistas reforçam a importância de fortalecer a rede de saúde para doenças crônicas, ampliar oportunidades no mercado de trabalho, combater a discriminação etária e garantir acesso ao lazer, à cultura e à educação. O Estatuto do Idoso, em vigor desde 2003, já assegura direitos fundamentais, como atendimento preferencial no SUS, gratuidade em transportes coletivos, proteção contra violência e exploração financeira, além de benefícios fiscais e acesso a programas de lazer e cultura.

Apesar dos impasses, o envelhecer no Brasil tem se tornado, para muitos, uma fase de novas descobertas. Viagens, cursos, festas, atividades físicas e hobbies transformam a terceira idade em um período de autonomia e vitalidade. Mas, como lembram especialistas, envelhecer com dignidade depende de um esforço coletivo: família, Estado e sociedade precisam estar preparados para garantir que a população idosa seja tratada não como peso, mas como protagonista de sua própria história.

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